Quinta das Lágrimas
Quinta das Lágrimas
Desde a primeira metade do século XIV, que se nos deparam frequentes referências a esta propriedade, sob o nome de quinta do Pombal. A denominação resulta dum grande pombal, que ali havia, perto da casa de habitação.
Situada a Sudoeste dos edifícios do mosteiro clarista e dos dois paços, ela confrontava a Nordeste com a própria cerca monástica, da qual era separada pela extremidade de meridional do muro, que fechava por Ocidente a horta da clausura, a Norte com o rossio de Santa Clara, e a Leste e Sul as propriedades do cabido da Catedral.
Pertencia esta quinta ao mosteiro dos cónegos regulares de Santa Cruz de Coimbra que, reservando para si o domínio directo, costumavam alienar temporariamente, de ordinário por três vidas, o domínio útil, mediante contracto de “fateusim”, como era uso dizer.
A 20 de Agosto de 1530 é autorizada Isabel Caldeira, viúva de Pedro de Alpoim, casada em segundas núpcias com Estêvão Barradas, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, a transmitir o prazo em dote a sua filha Maria de Alpoim, que casou com Duarte Resende.
Era proprietária enfitêutica da quinta do Pombal esta Maria de Alpoim, quando Camões por ali andou meditando os amores e desditas de Inês de Castro. Foi ele que depois veio a chamar as atenções de toda a gente para esta quinta, tomando-a célebre.
No ano de 1563 possuía o prazo em terceira vida D. Ana de Alpoim, filha da mencionada Maria de Alpoim. Era mulher de Pedro de Sousa Camelo e vivia habitualmente com o seu marido em Lisboa, residindo na quinta seu irmão António de Alpoim.
Passou depois, por herança, à viúva do Dr. Tomé Pinheiro, que residia em Viseu, a qual vendeu a propriedade a João Correia da Silva, secretário da Universidade, a quem sucedeu, por morte, seu filho Bernardo Correia de Lacerda.
Depois da família dos Sás, da dos Alpins, da dos Veigas, e da dos Correias, uma outra família vai agora entrar na posse deste prazo, pela venda que Pedro Correia Lacerda, filho de Bernardo Correia, fez a Manuel Homem Freire de Figueiredo, Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, por escritura de 21 de Julho de 1730.
E são precisamente de 1730, ano em que esta família adquiriu a quinta, os primeiros documentos em que figuram as denominações de fonte das Lágrimas e quinta da fonte Lágrimas, ou, resumidamente, quinta das Lágrimas, como nomes, então comuns e já tradicionais, da propriedade, e da fonte nela situada.
BIOGRAFIAS DA HISTÓRIA DE PORTUGAL
INÊS DE CASTRO
ANTÓNIO DE VASCONCELOS
0 comentários:
Enviar um comentário